Aviso do Raposo

Os capítulos seguem uma sequência cronológica que por ordem de postagem estão ao contrário.
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As Músicas Favoritas do Raposo

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

CAPÍTULO 1 - Primeiro dia dos 65

Raposo, o Idoso Odioso(Primeiro dia dos 65)

Raposo era um cara comum, brasileiro, carioca, descolado, arquiteto, surfista e com um humor ímpar.
Viveu sessenta e quatro anos, trezentos e sessenta e cinco dias e sessenta minutos querendo que esse dia chegasse, e chegou.
Chegou enfim, seu sexagésimo quinto aniversário.
Que beleza!
Não que ele gostasse de ser idoso, muito menos de ser chamado de idoso.
Seus cabelos soltos, castanhos claros, onde os fios brancos pareciam brilhos do sol, pele queimada das inúmeras horas nas areias do Recreio e suas roupas de surfista recém saído do seriado Magnum não somava esta quantia.
Hoje era o dia, que felicidade radiante completar os sessenta e cinco anos e ser um idoso com passe livre em qualquer lugar.
Nunca mais pagar ônibus, meia no cinema, meia no teatro, meia no show do Kiss, meia em qualquer lugar.
Fila de banco então, nunca mais.Agora era sua vez, em vez de ficar horas dentro da agência do banco se sentindo o próprio Barrichello sendo ultrapassado por todas vovós e vovôs que resolveram furar a sua fila, ele agora seria o Schumacher, iria pra Pole Position.
Passou a ir ao banco todo dia só pra sentir o prazer de ouvir os sussurros entre dentes dos abestados na fila:
“Olha a cara de pau desse cara, ele não tem 65 anos nem aqui nem na China!
Como fazia bem pro seu ego.
Sentia-se um garotão.
Era um garotão.
Raposo tinha um gato, o Jean Claude.
“Me perdoa Raposo, mas isso é nome de gato afrescalhado”.
“Então chame pelo sobrenome; Van Dame”.
Ele era assim, curto e grosso.
Jean Claude se achava um cachorro, foi criado como tal.
Vai agora botar na sua cabecinha felina que ele não o é.
Bom, mas Jean Claude é outra estória, depois eu conto.Hoje Raposo saiu de casa pra curtir sua liberdade cronológica.
Pegou um ônibus, não importa pra onde, não pagou a passagem mesmo.
Já valeu.
Entrou pela porta normalmente, mostrou sua carteira e pimba, passou, que maravilha!
Sentou, ao lado de um par de coxas deslumbrantes, pensou; “Hora de rolar aquele papo mole”.
“E ai gatinha, indo pra onde? Pra praia?”
“Não vovô, tô indo pro Hospital, trabalho lá, quer que eu acompanhe o senhor até lá?”
“Que isso gata, sou inteirão, jogo vôlei com a tchurma na praia todo dia, morou?”
“Ah, o Senhor me desculpe, mas vi sua carteirinha achei que o senhor estava indo pra fila do Posto de Saúde.”
É, Raposo, tudo tem seu preço, mas tudo bem, pelo menos não pagou o ônibus.
Mas adiante, o ônibus começa a lotar, uma velhinha se equilibrando com sua bengala, apóia logo aonde?
No Tênis Nike branco, novo do Raposo.
”Caramba acabei de comprar, que m...
”Olha com aqueles olhinhos amarelos e sorriso de quem-quer-sentar-no-seu-lugar.
Tudo bem, Raposo se levanta, afinal ele é um garotão educado, acabara de explicar a gata ao lado.
“Pode-se sentar aqui madame.
A idade é relativa e tudo tem seu preço.
Lá vai ele, em pé, balançando, sacudindo, escorregando, mas pra onde está indo mesmo?
Sabe lá, pegou o primeiro ônibus que viu pela frente com o entusiasmo de ser o primeiro de graça.
“Caramba, CENTRAL, tá escrito na plaquinha, por isso o negócio tava tão cheio, mas o que vou fazer na CENTRAL? Saco!”
“Bem agora já tô, fico.”
Saltou no ponto final, ou melhor ‘foi saltado’, nem que quisesse conseguiria ficar ali dentro.
Como cabe tanta gente num treco desse a essa hora ainda não sabe.
Parou numa loja de bugigangas, e pronto, estacionou uma vendedora no milésimo de minuto seguinte.
Posso ajudar o Senhor em alguma coisa?”
“Pode minha filha, vai lá em casa e pega meu óculos, pra eu poder ver o preço dessa droga aqui.”
“Agora chispa, se eu quiser algo eu chamo”.
Tem coisa mais chata que entrar na loja e chegar junto logo uma vendedora?
Raposo detestava isso.
Na falta do que fazer no Centro da Cidade, comprou uma escova de dente e foi embora.
Atravessou a rua pra pegar o ônibus de volta e pensou:
“Eu num pago mesmo, vou voltar de frescão.”
Voltou.
Pegou uma gripe desgraçada.
Afinal bermuda e camiseta, naquele frigorífico só com gripe mesmo.
Melhor ir pra casa, tomar umas vitaminas C e cama.
Ver um filmezinho depois da novela e pronto.
Chegou.
Abriu a porta.
E click, cadê a luz?
“Droga”
Hoje não era o dia do Raposo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

CURTAS DO RAPOSO

SE EU COMO MUITO EU MORRO, SE EU BEBO MUITO EU MORRO, PREFIRO MORRER DE BARRIGA CHEIA.

terça-feira, 1 de junho de 2010

CURTAS DO RAPOSO

SE TRABALHAR É BOM E DIGNIFICA O HOMEM, EU PREFIRO DEIXAR PARA OS QUE ESTÃO PRECISANDO MAIS DO QUE EU, JÁ SOU DIGNÍSSIMO.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

CURTAS DO RAPOSO

UM PASSAGEIRO QUE VOA A 1000Km/h, A 900 PÉS DE ALTITUDE, ABAIXO DE 50°C LÁ FORA E COMENDO BARRINHA DE CEREAIS, AINDA RECLAMA DA SEGURANÇA NOS AEROPORTOS???

sexta-feira, 28 de maio de 2010

CURTAS DO RAPOSO

SABEM QUAL O SONHO FEMININO ATUAL???
UM DESLUMBRANTE VESTIDO TOMARA-QUE-CAIA, UMA CALCINHA TOMARA-QUE-TIREM E UM SUTIÃ TOMARA-QUE-SUSTENTE!!!
E...CONSIDERANDO O VOLUME DE VIADOS QUE TEM NESTE PAÍS:
UM HOME QUE-TOMARA-QUE-QUEIRA

terça-feira, 4 de maio de 2010

Lançamento do Livro RAPOSO O IDOSO ODIOSO

Foi um sucesso o Lançamento do livro, agradeço a todos a honra de tê-los comigo nesta noite e garanto que EM BREVE teremos NOVAS AVENTURAS.
BJS RAPOSO
video
Cliquem no triangula apra ver o video comas fotos

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

CAPÍTULO 11 - UMA PESQUISA DO BARULHO

Raposo, o Idoso Odioso

Ding Dong.

Nada.

Ding Dong.

Nada.

Diiiing Doooong.

Diiiing Doooong.

“Já vai meu cace@#$%. Gente desesperada não sabe esperar não?”.

Sai Raposo molhado, todo ensaboado de dentro da banheira.

Escorrega no chão, se segura na pia, derruba o perfume, quebra o vidro, corta o dedo do pé.

“Pu$#%$%¨%&%$, ai meu dedo.”

Se enrola na toalha, sai pingando, atravessa a sala e enfim chega até a porta, onde uma criatura, provavelmente Matilda, que esqueceu a chave toca a campainha desesperadamente.

“Bom dia senhor, estaria o senhor disposto a responder nossa pesquisa do Censo Brasil 2009?”.

“Você deve estar de sacanagem meu querido, saí do banho, quase quebrei a coluna, cortei meu dedinho, molhei a casa toda e é somente você? Não tem mais o que fazer não”

“Na verdade senhor, tenho mais 53 pessoas para completar a pesquisa no dia de hoje. O senhor está disponível?”

“Disponível? E lá eu sou programação de TV pra estar disponível? Sarta fora daqui antes que te acerte a fuça.”

Neste exato momento entra Matilda.

“Ô Raposo, isso é maneira de falar com o rapaz? Ele está fazendo o trabalho dele.”

“Que faça o trabalho dele, mas longe daqui, sem em encher o saco.”

“Querido, pode entrar, ele está disponível sim e fará a pesquisa pra você, não é Raposo??”

Quem pode resistir aquele olhar tão doce de menina-possuída-em-filme-de-terror-classe-B de Matilda?

“Claro meu bem, farei a pesquisa pelado e com o maior prazer.”

“Ok, Senhor, então vamos começar:”

“Nome:”

“Raposo Von Shultzer da Silva”

“Pode soletrar o segundo nome?

“Não, isso aqui não é programa do Luciano Huck, se não entendeu num escreve.”

“Idade:”

“Do tempo que era falta de educação perguntar a idade à alguém.”

“Profissão:”

“Não te interessa.”

“Senhor, preciso de dados claros para a pesquisa.”

“Tá ferrado, aqui em casa só tem dado vermelho e preto.”

“O Senhor é tão engraçado né?”

“Tá me chamando de palhaço? Vou parar por aqui.”

“Não, senhor, me desculpe, continuando. Escolaridade:”

“Minha escola é da idade da pedra.”

“Quero dizer, senhor, o grau de instrução:”

“Zero, assim como a minha tolerância.”

“O senhor é casado?”

“Não, sou viúvo, pois vou matar minha mulher assim que você sair por te me torrado o saco pra responder esta pesquisa idiota.”

“Raposoooo”- grita do banheiro Matilda -“Responde o moço direito.”

“Ok Mon amour.”

“Senhor, quantas Tvs o senhor tem em casa?”

“Duas, porque, vai pedir emprestado, perdeu tempo, num empresto.”

“Quantos rádios à pilha?”

“Nenhum, o Zé porteiro me levou todos.”

“Quantas geladeiras?”

“P%%%$%#, uma só né seu mala. Mas num tem lanchinho não”

“Quantos aspiradores de pó?”

“Vem cá, isso é pesquisa, ou vc tá se candidatando a faxineira aqui pra casa, pra que você quer saber isso?”

“É da pesquisa senhor. Falando nisso, quantas empregadas diaristas.”

“Uma só, a senhora sua mãe vem aqui toda terça feira quando tem folga lá no galinheiro.”

“O senhor está me ofendendo.”

“Meu filho, você que é um intrometido, quer saber de tudo. Larga de ser fofoqueiro.”

“OK senhor falta pouco, vou relevar.”

“Relevar não, vc vai é levar essa sua bunda gorda daqui porque já tô de saco cheio.”

“Quantos carros o senhor possui?”Uma Pesq

“Essa é fácil, um Porche Carrera, uma Ferrari vermelha, um Lamborghini e um carro de Funerária, que é aonde vou te dar uma caroninha... Entendeu? Ou quer que desenhe?”

“O senhor tem filhos?”

“Não, mas de vez enquanto aparece um filho da p@#%@%, pra me encher o saco.”

“Agora chega, quem o senhor pensa que é pra falar assim comigo?”

“E eu lá sei, é você quem tá fazendo a pesquisa, não sou eu.”

“Muito engraçadinho, se eu não estivesse trabalhando enfiava a mão na sua cara.”

“Enfia, que eu tô doido pra bater num GBO(grande-bobo-e-otário).”

Em um segundo a sala vira um rinque de vale-tudo, roda Raposo pra lá, roda pesquisador pra cá, toalha num canto, caderno do Censo no outro e Matilda tomando banho não escuta nada.

Os dois se debatendo mais que pipoca na panela, e a essa altura o prédio inteiro já ouvia o barraco.

Quando os dois se dão conta, já estão agarrados rolando pelo hall social e o pior de tudo, Raposo peladão.

A porta do elevador abre e quem aparece?

O Silva e Dona três pontinhos, a sogra.

“Mas o que que é isso Raposo, eu não sabia que tú era dessas coisas, tantos anos seu amigo e nunca reparei nessa sua preferência.”

“Raposo, trair minha filha até vai, porque ela é uma mala e merece, agora com esse barbado ai num dá né. Trocou de lado agora? Que pouca vergonha é essa?”

Raposo, não vê nada nem ninguém, só quer acabar com aquele folgado e nem escuta a sirene da polícia chegando na porta do edifício, que o Zé porteiro chamou.

Matilda acaba seu banho tranqüilamente, nada melhor que um bom banho depois de um dia cansativo.

Uma hora de imersão na banheira, no seu banho de sais e ervas ouvindo suas preferidas no Ipod e está novinha em folha, pronta para convidar Raposo para um passeio no shopping, quem sabe até um teatro?

Coloca seu roupão e suas Havaianas e vai até a sala ver se Raposo já terminou a pesquisa com o simpático rapaz.

“Raposo, você já terminou? Raposo. Raposo. Cadê você?”

A porta aberta, toalha no chão, tudo revirado na sala parece não ser uma boa coisa.

Cacos de vidro espalhados pelo chão do Hall Social, quadros derrubados da parede definitivamente algo estava bem errado ali.

Corre até a janela onde percebe ouvir um certo reboliço, e ao chegar e se debruçar depara-se com uma cena um tanto surreal.

O carro da polícia, sua mãe, o Silva, Raposo peladão, algemado bunda a bunda com o rapaz do censo, e uma multidão de curiosos gritando:

“Esfola, esfola, esfola. Pega essas bichas velhas, sem-vegonha”

Neste exato momento:

Ding Dong.

Ding Dong.

Diiiiing Dooong.

Raposo acorda suado e assustado no sofá e:

“Ufa! Era tudo um pesadelo, ainda bem.”

Corre até a porta e suspira aliviado, é Matilda.

“Oi meu amor, olha que gentil, subi com esse rapazinho super simpático no elevador e ele quer fazer uma pesquisa rapidinho com você, atende ele enquanto eu tomo banho querido.”

“Não, tudo de novo não.....”